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Livros

(Books)

 

 
Fiódoro Dostoievski
 

 ·         Crime e Castigo
 ·         Gente Pobre
 ·         O Eterno Marido 
 ·         O Idiota 
 ·         O Jogador 
 ·         Noites Brancas 

 

Florbela Espanca
 

 ·         Florbela Espanca: 
         Antologia Poética 

 

João Ferreira
 

·         Agonia: Uma Lição de Vida 

 

Maria Teresa Maia Gonzalez
 

 ·         A Cruz Vazia 
 ·         A Lua de Joana 


 

Nirvana e Kurt Cobain
 

 ·         Nirvana - Kurt Cobain 
 ·         Kurt Cobain: Odeio-me e 
         Quero Morrer

 

Paulo Coelho
 

 ·         Maktub 
 ·         O Manual do Guerreiro da 
         Luz

 

 

Poemas

(Poems)

 

 

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Fernando Pessoa

 
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Textos

(Texts)

 

 
 
Antoine Saint-Exupéry
 

 ·         Reflexão

 

Paulo Coelho
 

 ·         Não Fica Nada
 ·         O Poço e o Seu Segredo

 

Frases/Pensamentos

(Phrases)

 

 

 
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Livro de Visitas

(Guestbook)

 

LIVROS BOOKS

 

 

 

 
Fiódoro Dostoievski

Crime e Castigo

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     Antes de morrer, Ana de Gusmão manda chamar Maria Inês à sua casa no Alentejo e deposita nas suas mãos uma cruz de madeira - velha de trezentos anos - onde Cristo está ausente.
     De regresso a Lisboa, onde vive, Maria Inês conserva a misteriosa cruz durante largo tempo, sem saber muito bem qual o seu significado, nem por que motivo ela lhe chegara às mãos. O verdadeiro sentido soube-o, um dia, ao ter olhado à sua volta e ter constatado que cada um de nós carrega na forma de uma dor, na incerteza de um destino, na doença e na morte, o recorte da esperança, quando nos dispomos a ver em cada semelhante um destino único e singular e, na cruz, o lugar de salvação que só a solidariedade e o amor podem imortalizar.
     De todos os livros da autora, este é porventura o mais enigmático e aquele que melhor espelha a complexidade romanesca que varre o interior de cada personagem. Um livro cheio com pessoas e tempos, sonhos e adversidades, selado pelas ilusões de um mundo português em transformação.

   

Gente Pobre

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     Em 1846, aos 25 anos de idade, Doistoiévski publica o seu primeiro romance Gente Pobre que anuncia a grandeza da sua obra romanesca.
    
Escrito sob forma epistolar, contém muito pouco de descrição, mas em contrapartida o autor conferiu-lhe uma intensidade emocionante. Passa-se num bairro pobre de São Petersburgo, onde um funcionário de meia-idade troca correspondência com uma jovem costureira.
    
Demasiado pobres para se casarem, o seu amor passa todo pelas cartas, onde contam um ao outro os pequenos acontecimentos do dia-a-dia e revelam o seu mundo íntimo, marcado pelo sofrimento e pela humilhação.

   

O Eterno Marido

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     Universalmente considerado como um dos iniciadores da literatura moderna, Dostoiévski é também em muitos aspectos um precursor do pensamento de Freud pela admirável compreensão das motivações profundas e não conscientes, do sofrimento psíquico, da linguagem dos sonhos, dos laivos de loucura que caracterizam os comportamentos.
    
Neste conto, o autor trata de um tema muito divulgado nas literaturas europeias de meados do século XIX, especialmente na francesa: o argumento narra um triângulo amoroso – marido, mulher e amante – através da voz de um homem rico e indolente, que é confrontado com o marido, depois viúvo, da sua amante.
    
À semelhança de «O Idiota», já publicado nesta colecção, em «O Eterno Marido» o ciúme é o tema-chave; mas, enquanto naquele livro os conflitos são vividos, através de uma perspectiva cómica, por personagens dotados de grande força interior, em «O Eterno Marido» dá-se a dramatização do tema, logo esse sentimento é elaborado em função de um personagem cheio de fragilidades, propenso a uma passividade que o expõe ao ridículo, e as suas tentativas de abafar os seus ressentimentos e alcançar a felicidade a todo o custo acabam por se exteriorizar assumindo os contornos do crime.
    
No entanto, mais do que esta compreensão que Dostoiévski possui em relação aos comportamentos, fascinam-nos a sua intuição poética e o seu alcance filosófico, que nos deixam perante o enigma do psiquismo humano como mistério insondável que não obedece a qualquer lei da vida material.
    
Considerado pela crítica mundial como um dos mais perfeitos trabalhos de Dostoiévski, «O Eterno Marido», publicado pela primeira vez em revista corria o ano de 1870, só no ano seguinte teria a sua primeira edição em livro esta versão em língua portuguesa, da responsabilidade de Nina Guerra e Filipe Guerra, é fruto de um trabalho de tradução feito directamente a partir do russo.
   

O Idiota

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     Após uma longa ausência de São Petersburgo, o príncipe Míchkin retorna ao seu país.
     Oficialmente sofre de um estado de depressão nervosa, o que serve para evitar equívocos quando à real condição do príncipe: este padece de uma forma totalmente idiota de ser, que se torna visível na mais pequena demonstração da vontade que carece ter. Consequentemente à falta de decisão e vontade própria, Míchkin tem uma confiança ilimitada naqueles que o rodeiam.
    
No decorrer da sua viagem conhece Rogójin, um exuberante e abastado jovem de quem se faz amigo. Rogójin entretém o príncipe com o desenvolver da sua ardente paixão por uma certa Nastássia Filíppovna, mulher bela e generosa, mas de reputação duvidosa.
    
Ao chegar a casa do general Epantchin, Míchkin ouve falar nova-mente de Nastássia e apercebe-se que Gánia, o jovem secretário do general, pretende desposá-la pelo seu dote.
    
O príncipe sente o desejo irresistível de a encontrar, o que acontece na casa de Gánia. Segundo o seu entender, Nastássia não merece casar com um homem que não a ame, que queira apenas o seu dinheiro, como é a intenção de Gánia.
    
Entretanto um embriagado Rogójin oferece a Filíppovna uma enorme quantia de dinheiro para que ela fique com ele. Míchkin percebe o desespero em que a jovem mulher se encontra e pede-a em casamento para a salvar da perdição total, mas Nastássia acaba por se render e fugir com o rico mercador.
    
Os dois homens, anteriormente unidos por uma cúmplice amizade, tornam-se temíveis rivais. Rogójin tenta mesmo assassinar Míchkin.
    
Entretanto, Aglaia, a filha mais nova do general Epantchin, declara o seu amor a Míchkin.
    
O príncipe não fica indiferente a tamanha manifestação, e chega mesmo a acreditar que se encontra apaixonado por ela. Mas Nastássia não suporta a ideia de ter uma rival no coração de Míchkin e aceita desposá-lo. Rapidamente Míchkin renuncia do seu amor por Aglaia para salvar Nastássia.
    
No dia do casamento, a noiva foge novamente com Rogójin, que acaba por matá-la. A história iniciada com o encontro de Míchkin e Rogójin desfecha-se com um reencontro dos mesmos junto do corpo inerte de Nastássia.
    
O príncipe, que encontra Rogójin banhado em lágrimas de arrependimento, acaba por soçobrar num estado de demência total.
    
Ao fazer de Míchkin uma espécie de encarnação ideal da bondade e da humildade, um héroi entre as figuras de D. Quixote e Jesus Cristo, Dostoiévski demonstra o que pode suceder a um homem genuinamente bom quando posto em confronto directo com a pérfida realidade envolvente.
    
Publicado em 1869, «O Idiota» é, dos cinco grandes romances de Dostoiévski, o mais perfeito a nível estilístico e de construção dos personagens, mas também o mais incompreendido na sua época.
    
«O Idiota» retrata o conflito sentimental sem resposta entre o bem, o belo, o mal, o ódio, a aversão e o rancor, que, com o seu génio, Dostoiévski trata de uma forma única e intemporal.
 
   

O Jogador

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     «O Jogador» foi publicado em 1866, ano em que saiu também «Crime e Castigo», volume que inaugurou esta colecção das obras de Fiódor Dostoiévski, sendo também a primeira a ser traduzida directamente do russo.
    
Passado na Alemanha, num ambiente de casinos, Aleksei Ivánovitch destaca-se como figura principal - um jovem com um forte sentido crítico em relação ao mundo que o rodeia, mas carente de objectivos, que descobre em si a paixão compulsiva pelo jogo.
    
Dostoiévski expõe as personagens nas suas motivações mais íntimas, com humor e ironia, criando uma obra simultaneamente viva e profunda, na melhor tradição dostoievskiana.
    
O fascínio torturado dos jogadores adequa-se genialmente ao tratamento de temas caros ao autor, e ainda o descontrolo e o desespero, as paixões que raiam a loucura e a solidão sem perspectivas, além de uma análise social impiedosa, por vezes satírica.
    
O Jogador, uma das obras mais lidas deste autor, tem muito da experiência do próprio Fiódor Dostoiévski, que também foi um jogador compulsivo durante vários anos.
 

   

Noites Brancas

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     O romance «Noites Brancas» foi publicado em 1848. A sua acção, toda ela impregnada de um intimismo delicado, decorre em Sampetersburgo.
    
Na cidade buliçosa e distraída cruzam-se as linhas de duas vidas e de dois destinos. Um encontro fortuito e efémero, que, no entanto, marcará indelevelmente a vida dos dois protagonistas.

 

Florbela Espanca

Florbela Espanca: Antologia Poética

Organização de Fernando Pinto do Amaral

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     Nasceu no Alentejo, em Vila Viçosa, a 8 de Dezembro de 1894. Estudou em Évora, onde concluiu o curso dos liceus em 1917. Mais tarde vai estudar para Lisboa, frequentando a Faculdade de Direito.
Colaborou no Notícias de Évora e, embora esporadicamente, na Seara Nova. *(in Sonetos-C.L.)
     Foi, com Irene Lisboa, percursora do movimento (recente) de emancipação da mulher.
     Com a sua personalidade de uma riqueza interior excepcional, escreveu os seus versos com uma perturbação ardente, revelando um erotismo feminino transcendido, pondo a nu a intimidade da mulher, dando novos rumos à consciência literária nascida de vivências femininas.
     A sua Poesia é de uma intensidade lírica e profundo erotismo. **(E. de G.Damulakis)
Decidiu o "rumo" da sua vida - aos 36 anos - em Matosinhos, a 7 de Dezembro de 1930!

 

 

 
João Ferreira

Agonia: Uma Lição de Vida

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     A "Agonia" em livro é muito mais do que uma reportagem televisiva. É a visão do autor do antes, o durante e o depois. Os sessenta minutos de “Agonia” em televisão foram o resumo de centenas de horas de filmagens e de milhares de histórias contadas com emoção.
     
Tudo começou há dez anos quando o Pedro e o irmão criaram em sua casa uma “sala de chuto”. Cediam o espaço em troca das doses diárias. E os dias foram passando até à “Agonia”.
     
Estas linhas também relatam o papel e a angústia dos que acompanharam o sofrimento de um toxicodependente na ressaca.
     
E descrevem a despedida do Pedro, quando ao fim de três semanas, partiu rumo ao primeiro dia do resto da sua vida.

 

 
Maria Teresa Maia Gonzalez

A Cruz Vazia

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     Antes de morrer, Ana de Gusmão manda chamar Maria Inês à sua casa no Alentejo e deposita nas suas mãos uma cruz de madeira - velha de trezentos anos - onde Cristo está ausente.
     De regresso a Lisboa, onde vive, Maria Inês conserva a misteriosa cruz durante largo tempo, sem saber muito bem qual o seu significado, nem por que motivo ela lhe chegara às mãos. O verdadeiro sentido soube-o, um dia, ao ter olhado à sua volta e ter constatado que cada um de nós carrega na forma de uma dor, na incerteza de um destino, na doença e na morte, o recorte da esperança, quando nos dispomos a ver em cada semelhante um destino único e singular e, na cruz, o lugar de salvação que só a solidariedade e o amor podem imortalizar.
     De todos os livros da autora, este é porventura o mais enigmático e aquele que melhor espelha a complexidade romanesca que varre o interior de cada personagem. Um livro cheio com pessoas e tempos, sonhos e adversidades, selado pelas ilusões de um mundo português em transformação.

   

A Lua de Joana

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     Ao lermos A Lua de Joana, não podemos deixar de pensar na forma como, muitas vezes, relegamos para segundo plano aquilo que é realmente importante na vida. Porque este livro nos alerta para a importância de estarmos atentos a nós e ao outro, e de sermos capazes de, em conjunto, percorrer um caminho que conduza a uma vida plena... Não deixe de o ler!

 

 

 
Nirvana e Kurt Cobain

Nirvana - Kurt Cobain

Textos organizados por Ana Cristina Ferrão

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     «Os ouvidos ribombaram, o cérebro entorpecido foi invadido por uma queimadura e excitou-se! Um enorme clarão encheu-lhe os sentidos. Perplexo, pensou: “Esta bate!”.
     E umas vozes estranhamente distorcidas murmuraram: “Bem vindo a casa Kurt! Estávamos à tua espera!”»
Não é a primeira vez que uma estrela de rock’n‘roll abandona os palcos a destempo segundo os relógios da indústria e dos fãs.      O que é inédito é ternos dado acesso aos recônditos da sua mente perturbada de forma tão clara e angelical como Kurt fez, transformando assim a sua morte numa enorme tela onde todos conseguimos pintar um traço, um borrão, ou uma pintinha mínima de tinta que revele as paranóias, as depressões, os fantasmas, as obsessões, que julgamos ter sob controlo – libertação, devoção, sofrimento, desejo, luxúria, abismo, ternura, triunfo, trauma, dependência, masoquismo.
     E por fim o que nos resta é a música.

   

Kurt Cobain: Odeio-me e Quero Morrer

Textos organizados por João Lisboa

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     Este livro, organizado por João Lisboa, compõe-se de declarações de Cobain sobre a sua vida.

O resultado é uma biografia completa sobre o vocalista dos Nirvana e autor da atitude de “nevermind”.

Aqui ficamos a conhecer os episódios que o marcaram para sempre (como o divórcio dos pais, quando tinha sete anos) e os seus primeiros passos na música, que mais tarde viriam a dar origem aos Nirvana.

Um bom instrumento para a compreensão da figura de Cobain e do mito gerado em torno dela.

 

 

 
Paulo Coelho

Maktub

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     Este volume reúne os textos que foram publicados no espaço de um ano na Folha de São Paulo. São pequenos textos que reflectem sobre as lições do grande Mestre do Autor e sobre pequenas parábolas de outras fontes.
     O Autor compara-se, modestamente, a um tecelão. Mas o certo é que elaborou, artesanalmente, um tecido multifacetado, colorido, maleável no vestir. Leia, folheie, releia, medite.

    
Pois encontrará, nestas páginas, caminhos viáveis para a sua trajectória pessoal.

   

O Manual do Guerreiro da Luz

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    O Autor apresenta textos breves sobre a sagrada luta que todos nós travamos nas nossas jornadas.
    
Ele fala-nos de conquistas e derrotas, escolha e destino, paixão e esperança, gratidão e amizade, passageiro e definitivo, entre muitos outros temas essenciais da arte de viver.

 

 

 

POEMAS POEMS

 

 

 

 

 

 

Fernando Pessoa

O Mistério das Cousas

Alberto Caeiro

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" (...) Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou !

( Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as coisas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina. )

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e o sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus ?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe
( Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio ? ),
Obedeço-lhe a viver espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda hora."

 

 

 

 

Florbela Espanca

As Quadras d'Ele I

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[4]
Onde estás ó meu amor.
Que não te vejo apar'cer?
Para que quero eu os olhos
Se não servem p'ra te ver?

Que m'importa a luz suave
Dos olhos que o mundo tem?
Não posso ver os teus olhos
Não quero ver o de ninguém.

...
[7]
Teus olhos têm uma cor
Duma expressão tão divina,
Tão misteriosa, tão triste,
Como foi a minha sina

É uma expressão de saudade
Vogando num mar incerto.
Parecem negros de longe,
Parecem azuis de perto.

Mas nem negros nem azuis
São teus olhos, meu amor.
Seriam da cor da mágoa
Se a mágoa tivesse cor!
...
 

   

Velhinha

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Se os que me viram já cheia de graça
Olharem bem de frente para mim,
Talvez, cheios de dor, digam assim:
"Já ela é velha! Como o tempo passa!..."

Não sei rir e cantar por mais que faça!
Ó minhas mãos talhadas em marfim,
Deixem esse fio de oiro que esvoaça!
Deixem correr a vida até ao fim!

Tenho vinte e três anos! Sou velhinha!
Tenho cabelos brancos e sou crente...
Já murmuro orações... falo sozinha...

E o bando cor-de-rosa dos carinhos
Que tu me fazes, olho-os indulgente,
Como se fosse um bando de netinhos...

 

 

 

 

Luís de Camões

Quem Vê, Senhora...

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Quem vê, Senhora, claro e manifesto
O lindo ser de vossos olhos belos,
Se não perder de vista só em vê-los,
Já não paga o que deve a vosso gesto.

Este me parecia preço honesto;
Mas eu, por de vantagem merecê-los,
Dei mais a vida e alma por querê-los,
Donde já não me fica mais de resto.

Assim que a vida e alma e esperança,
E tudo quanto tenho, tudo é vosso,
E o proveito disso eu só o levo.

Porque é tamanha bem-aventurança
O dar-vos quanto tenho e quanto posso,
Que, quanto mais vos pago, mais vos devo.

   

Quando o Sol Encoberto Vai Mostrando

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Quando o Sol encoberto vai mostrando
Ao mundo a luz quieta e duvidosa,
Ao longo de úa praia deleitosa
Vou na minha inimiga imaginando.

Aqui a vi, os cabelos concertando;
Ali, co'a mão na face tão fermosa;
Aqui falando alegre, ali cuidosa;
Agora estando queda, agora andando.

Aqui esteve sentada, ali me viu,
Erguendo aqueles olhos tão isentos;
Aqui movida um pouco, ali segura;

Aqui se entristeceu, ali se riu...
Enfim, nestes cansados pensamentos
Passo esta vida vã, que sempre dura.
 

 

 

 

TEXTOSTEXTS

 

 

 
Antoine Saint Exupéry

Reflexão

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     No fundo, existe apenas um único problema neste mundo: como fazer com que o homem encontre de novo o sentido espiritual da vida, como provocar-nos para que retomemos o caminho que nos faz olhar nossas próprias almas.
    
Para isso, é necessário acreditar que a humanidade possa receber um banho da força luminosa que vem de cima, e que os ares sejam inundados por algo parecido com o canto gregoriano.
    
Não podemos continuar vivendo como se o mundo se resumisse a frigoríficos, políticos, orçamentos, e palavras cruzadas.

 

 

 

 
Paulo Coelho

Não Fica Nada

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Um noviço estava na cozinha, lavando as folhas de alface para o almoço, quando um velho monge - conhecido por sua rigidez excessiva, que obedecia mais ao desejo de autoridade que à verdadeira busca espiritual - aproximou-se.
- Você pode me dizer o que o superior do convento disse hoje no sermão?
- Não consigo me lembrar. Sei apenas que gostei muito.
O monge ficou estupefacto.
- Justamente você, que tanto deseja servir a Deus, é incapaz de prestar atenção nas palavras e conselhos daqueles que conhecem melhor o caminho? Por isso que as gerações de hoje estão tão corrompidas; já não respeitam o que os mais velhos têm para ensinar.
- Olha bem o que estou fazendo - respondeu o noviço. - Estou lavando as folhas de alface, mas a água que as deixa limpas não fica presa nelas; termina sendo eliminada pelo cano da pia. Da mesma maneira, as palavras que purificam são capazes de lavar a minha alma, mas nem sempre permanecem na memória.


"Não vou ficar lembrando tudo o que me dizem, só para provar que sou culto e superior aos demais. Tudo aquilo que me deixa mais leve, como a música e as palavras de Deus, termina guardado num recanto secreto do meu coração. E ali permanecem para sempre, vindo à superfície somente quando preciso de ajuda, de alegria, ou de consolo."

   

O Poço e o Seu Segredo

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    Numa pequena aldeia de Marrocos, um homem contemplava o único poço de toda a região. Um garoto aproximou-se:
- O que tem lá dentro? - quis saber
- Deus.
- Deus está escondido dentro deste poço?
- Está.
- Quero ver - disse o garoto, desconfiado.
O velho pegou-o no colo e ajudou-o a debruçar-se na borda do poço. Reflectido na água, o menino pode ver o seu próprio rosto.
- Mas este sou eu - gritou.
- Isso mesmo - disse o homem, tornando a colocar delicadamente o menino no chão. Agora você sabe onde Deus está escondido.

 

 

FRASES/PENSAMENTOSPHRASES

 

 

 

Lua

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     Em geral, ela sinaliza felicidade. Quando está cheia, virá dinheiro extra; lua nova indica reconciliação; crescente, nascimento; e minguante, separação.

   

Do meu telescópio, eu via Deus caminhar! A maravilhosa disposição e harmonia do universo só pode ter tido origem segundo o plano de um Ser que tudo sabe e tudo pode. Isto fica sendo a minha última e mais elevada descoberta.
(Isaac Newton)

Há dois tipos de pessoas: as que têm medo de perder Deus e as que têm medo de O encontrar.
(Pascal)

É um cientista bem medíocre aquele que pretende poder passar sem fé ou sem Deus!
(Werner Von braun, criador dos foguetes que levaram o homem à lua)

 

   
   

 

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